02/06/2008
Meus queridos...
O dia está meio acinzentado por aqui, pois chove faz alguns dias. O inverno vem chegando com força. Seis horas da tarde já é noite e quando já são seis horas da manhã, ainda não amanheceu o dia. Mas esse friozinho bom, regado a um bom chocolate quente e uma música boa soando em casa me traz uma alegria tão boa, tão verde-amarela! Como é bom voltar pra casa!
Passei praticamente quase todo o mês de maio fora do Brasil, salvo algumas cidades maravilhosas por onde andei nesse meu belo país. A aventura começou no norte do continente, nos USA, onde estive fazendo shows em um congresso realizado pelas Irmãs Pregadoras de Cristo e Maria. Foram dias super especiais e vocês vão poder curtir as fotos no Na estrada. Nessa mesma viagem estive com a Comunidade Siervos del Cristo Vivo, também em Nova Yorque, numa noite intensa e cheia de alegria. A viagem para os USA teve uma característica especial: os amigos. Não vou esquecer nunca o que fizeram por mim!
Chegando dos USA, tive alguns dias pra respirar e lá fui eu de novo! Direto de Brasília fui pra Milão, no norte da Itália. Cantei nove dias seguidos, numa intensidade indescritível. A primeira semana quase toda em Milão, e depois desci ao coração na Igreja, Roma, minha maravilhosa Roma, onde tive o privilégio de cantar no Centro Juvenil São Lorenço, no Vaticano, ser entrevistada na Rádio Vaticano e também gravar um clip da canção “Brezza Soave” com aquele povo maravilhoso da Canção Nova de lá. O encerramento foi com chave de ouro: uma gravação de um programa comigo “tocando violão” (pode???) para a WEB TV Canção Nova, com uma visão do Vaticano que nunca mais quero esquecer e com o coração cheio de gratidão por essas pessoas que vou encontrando pelo caminho e que me ajudam, me apóiam, me dão o que nunca espero e me surpreendem com sua generosidade.
Só tenho a agradecer! Especialmente quatro padres queridos que me levaram onde nunca pensei chegar: Don Stefano Colombo, Don Gustavo Mendieta, Don Anísio, scj. E Pe. Joãozinho (nosso brasileiríssimo!).Vocês três serão inesquecíveis!
Muito obrigada Itália por tanta alegria e realização que você me tem dado!
Obrigada Brasil, minha casa, meu abraço que sempre me espera de volta!
Amo vocês!
Ziza Fernandes
Fil. 1,3
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24/04/2008 Dor de dente e emoção sem nome
Hoje acordei com um nó suave na garganta, depois de nove dias consecutivos de dor. E você pensa que é dor psicológica, essas que às vezes são tolas e que nos fazem chorar por tudo quanto é coisa boba e passageira? Não! É dooooor! Dor de dente mesmo.
Meu Deus, coisa terrível é perder tempo na vida por causa de um dente! Ele grita por atenção mesmo quando já faleceu e, de uma forma tão mesquinha me joga na cama uma semana como se fosse o rei de todo meu corpo, me exige silêncio como se só ele tivesse razão, me controla o paladar como se só ele tivesse gosto e decidisse tudo o que eu teria direito a degustar, me controla até o sorriso! Descoberta vertiginosa: dente é mal-humorado! Não aceita sorrisos zombeteiros nem gargalhadas à toa, pelos simples amigos tolos e maravilhosos que estão por perto. O dente tem inveja do que é bom e tenta por todas as maneiras me jogar à fogueira da inveja do sorriso e da “Picanha” alheia.
Não posso mastigar. Ui! Que coisa triste é isso!
Às vezes a emoção é tão sem nome, sem endereço, sem email, sem telefone, que saio correndo pelas ruas de minhas alma a tentar gritar seu nome, sua identidade, seu paradeiro, seu destino... e não consigo. Dar nome ao que sinto exige paciência, dedicação, atenção, quase uma servidão ao desconhecido de mim mas que se faz único caminho para a verdade mais pura sobre minha alma, meus sonhos, meu destino e o sentido da minha vida neste planeta terra, tão encerrado aqui no meu quarto silencioso.
A vida é pra ontem...
Mas hoje o que eu tenho é isso: dor de dente!
Pode?
Beijos pra vocês todos!!
Ziza
Fil.1 ,3
Ps. Hoje já estou no décimo quinto dia... já melhorei. Rsrsrsrs
Ps1. Essa é uma homenagem a todos os que já sofreram desse mal a aguentaram firme: dente!! Coragem gente!! rsrsrsrs
Ps2. Um beijo de parabéns pra cidade de Brasília!! Amei o show!! Obrigada gente!!
Ps3. O mês de maio está bem recheado... rs confira a agenda!
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15/04/2008 13 de abril de 2008.
Bom Deus...
Tenho a impressão de que a dor vem, chega impiedosa, sem pedir licença e não vai embora, não se retira sem deixar seu rastro, sua marca, seu sinal de vitória ou rendição.
A lembrança hoje me despertou e me contou muitas histórias das quais eu era uma completa desconhecida, mas a personagem principal. Como é triste ver a certeza de um velho amigo, de esperança de reatar-se ver ruir-se a um descrédito, desesperança. A força da realidade é clara. É inevitável render-se a ela.
Nesta vida há perdas que serão inesquecíveis que com o tempo vão se tornando agridoces até serem dóceis, aceitáveis não sem aquele olhar silencioso de resignação e tristeza. A tristeza por algo que teria realmente valido a pena tem um quê de beleza, de eternidade, de esperança que nunca se dobra mas momentaneamente tem de dobrar-se.
A realidade está aqui, bem diante de mim, me mostrando o que eu jamais teria visto sozinha, se não pelos olhares misericordiosos dos que me amam. Sabemos tão pouco por apenas esses par de olhos limitados... Em dois, três ou quatro, nos tornamos tanto que até pensamos nos protegermos do mundo inteiro dentro dos nossos quatro pares de olhos. Bendito sejas Tu pelos verdadeiros amigos! Bendito sejas pelas forças que me dás para reconhecer aqueles que não são.
Feito mouro, violento sanguinário quando algo lhe pertence e é roubado, assim reagia minha alma diante de uma injustiça sobre minha vida interior, meus segredos, meus mistérios... Hoje seguem os mesmos, mas a moura hoje cala, resignada diante dos limites de tantos anos que se esbarraram em tantos outros que suportaram e que silenciou, parou, não mais quis, não mais interferiu, não mais pediu, não mais esperou, não mais lutou, não mais viveu para fora... A “moura” se converteu à sua própria alma, começou do começo e ninguém mais a reconhece, a não ser aqueles que lhe querem bem, sem garantias, sem ganhos, sem interesses, amam e fim. A moura esmoreceu, deixou ruir a estátua de sal e nasceu de novo. É esquecida e verdadeiramente lembrada, é cobrada e verdadeiramente perdoada, é acusada e verdadeiramente amada. A contradição é o pano de fundo que a faz viver e jogar velhas pedras de estimação no meio do nada. De lá vieram, para lá voltam sem que gastem um segundo a mais de uma vida que nunca às pertenceu.
A “esmourecida” busca a vida, secreta, escondida mas única, verdadeira, sua. Nessa alma secreta a vida volta aos poucos a ser forte e decidida.
Ter errado é doloroso e humilhante, voltar a errar no mesmo lugar seria a morte ainda viva. Não poderia. A realidade está aqui, diante de mim. A alma pede espaço, apoio e vez. Não há como seguir a mesma, mas os que antes acreditavam e recebiam os reflexos, julgam sombra o que antes juravam ser luz e são impiedosos hoje ao menor sinal de sombra, mas de uma nova vida, jamais da antiga. Oferecemos o que temos, o que somos, o que amamos...
Hoje busco a piedade na tua presença, pois a encontro no olhar de poucos e, é o suficiente para me fazer ver que se eles a tem, vem de Ti, pois não viria de ninguém mais alem de Ti!
Deus poderoso e eterno... tem misericórdia de mim!
Eu muito errei, tentando muito.
Eu muito acertei dando tudo.
Mas tudo dependerá da tua graça, do teu julgamento, do teu amor.
Deus poderoso, manso, amoroso... tem misericórdia de mim!
Sou tua, mesmo sem merecer e muito sem saber ser... mas sei que sou e isso me basta.
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14/03/2008 Chove de novo.
O tempo passou voando.
O calendário sempre me assusta por sempre tenho a sensação atrasada: estou em março e parece ser janeiro; a Páscoa se aproxima e ainda me parece Advento...
As vezes quando vou sair de casa para uma viagem bem longa, dessas com que todo mundo se acostuma com nossa ausência e pra você o tal do “costume” nunca existe, gostaria de poder parar o tempo e fazer com que esses momentos de “retirada estratégica” não fossem computados, que ainda desse tempo de voltar no mesmo dia em que saí, na mesma hora, no mesmo vôo, no mesmo minuto, perto da mesma pessoa. Mas, não como ganhar sem perder. As melhores aquisições da minha vida, se é que posso chamá-las assim, foram acompanhadas de uma perda, uma renúncia, um espaço vazio e disponível. Aprender sem se retirar, para mim, é impossível. Limite “zizal”, não consigo.
É fato que a cada dia vou sendo nova, discretamente nova, decididamente nova, inquietamente nova... Amo a novidade que se me apresenta à alma cada vez que tenho a graça e a força de reconhecer que ainda nada sei, que ainda falta por andar, que a alma é frágil e ainda necessita cuidados, que preciso estar desperta sempre... É por isso que gostaria, cá nos meus mitos e fantasias, que o tempo me esperasse melhorar, que ele tivesse caridade de mim e me aguardasse na sala de espera das virtudes, que ainda enfraquecidas, não realizam seu dever. Mas o tempo é fiel, não volta atrás, segue firme e impecável, generoso e silencioso.
Essa viagem que fiz para a França será inesquecível. Algo de novo Deus plantou (ou replantou), ou podou... Suas técnicas de divino jardineiro eu não sei ao certo, sei é que a vida parece nova e o desejo de ser melhor vai se solidificando devagar mas, o tempo passou. As cores do verão que se via daqui da janela de casa já se foram, tudo já mudou de lugar, de cor, de direção. O preço do caminho é o próprio caminho. Os ganhos do caminho também são o próprio caminho... Há quem receba os frutos de seus esforços aqui, nesta terra. Os frutos mais esplendorosos creio que ficarão secretos. Este mundo não suporta tamanha beleza. Este mundo não a vê...
Guardo aqui comigo essa ansiedade de vida eterna, esse desejo de eternidade em um minuto, essa infinidade de fotografias que trago aqui no arquivo divino da minha alma, de todas as belezas que vi, de todas as tristezas belas que tive, de todos os rostos que me olharam sem que eu merecesse, de todas as vozes que disseram tudo sem dizer nada, de todos os heróis anônimos que conheci e que amam seu anonimato, de todas as almas gigantes que me surpreenderam em sua exposição terrena tão discreta... São tantas as fotografias que anseio, anseio profundamente a vida eterna. Lá eu os verei a todos de novo...
O que verei na eternidade? É extremamente necessário que lá estejam as pessoas que amo, que não dizem muito e me explicam tudo, que sabem quem sou quando eu me perdi até em minha própria casa. É extremamente necessário que essas pessoas estejam aqui também e que minha eternidade já tenha começado. Meu Deus, como desejo! É extremamente necessário, e não será diferente disso, que a beleza seja a nossa anfitriã nesse encontro eterno, que nos dê espaços seguros onde as diferenças possam descansar...
“Ah beleza tão antiga e tão nova... Tarde te amei!”. (Santo Agostinho)
Esse minuto já passou...A Beleza me visitou em forma de gratidão à vida e `àqueles que eu jamais serei capaz de fazer, ser ou pensar algo para merecê-los em minha tão pequena jornada.Deus lhes pague por tanta misericórdia!Deus tenha misericórdia de nós e nos dê a graça de não perdermos tempo, esse bem tão precioso, com realidades que não nos tragam vida eterna!
A todos que acompanham meu trabalho e me ajudam sem que eu sequer saiba... Eu os tenho na alma! Muito orbigada!Aqueles que ainda não aprendi a amar, eu os tenho diante de mim. Amar é uma decisão secreta, sem propagandas...Aqueles que amo loucamente, já sabem quem sou e que continuem me guardando em suas misericórdias.Aqueles de quem me esqueci... não conheci. Ainda há tempo! E ele é o grande portador das surpresas e muito fiel aos plantios que fazemos pela vida...
Com amor e desejos de Verdadeira Páscoa,
Ziza Fernandes
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02/03/2008 Olá queridos...
“Ça va”?
A sensação de missão cumprida é sempre tão parecida com a sensação de estar começando tudo de novo. É exatamente isso que sinto agora... “Quanto mais sei, mais sei que nada sei...”.
Ontem foi meu último dia de curso intensivo de Francês na Comunidade Beatitudes, de Prayssas, no sul da França. Foram dias de extrema dedicação e muito aprendizado. Sem dizer que estar em Prayssas é estar e retiro, num silêncio bom e imprescindível pra alma!
Cantei em francês pela primeira vez! Falei (ou tentei... rs) em público e em francês pela primeira vez... Foi um batismo e uma sagrada e divertida humilhação. É tão importante saber que ainda não sei... É isso que dá um toque especial a tudo o que faço em minha vida. Essa noção da realidade me ajusta e não permite que a ilusão me visite...
Aqui, sentada num café do aeroporto de Bordeaux, cansadíssima e ainda com vinte horas de viagem pela frente, ouço diversas línguas ao meu redor. Atrás de mim a nítida sensação de estar em algum canal de TV lá de casa... Tem uma inglesa com um sotaque indescritível! Deus me dê um dia o dom das línguas, mas não esse sotaque! Ao meu lado esquerdo uma aeromoça da AirFrance, com um francês impecável e invejável... “Voila”, ainda falta um longo caminho pela frente pra falar bem assim... Ao meu lado direito um casal de legítimos portugueses. As vezes é mais difícil compreendê-los, quando falam rapidamente, do que o francês. Mas... à língua mãe, todo respeito!
Durante o “pequeno concerto” de ontem a noite, as emoções me roubaram diante da minha insegurança de não falar bem a língua que eu precisava. Foi bom ter uma audiência fiel, alegre e compreensível! Não esquecerei jamais os aplausos alegres depois do meu “batismo musical lingüístico”!!!! Vocês foram fenomenais! Muito obrigada! A canção de “meu batismo francês” foi “Brise Suave”. Oui, mes amis!! C’est lê même que “Brisa Suave”! É mais seguro começar com o Espírito Santo! rs
Pude cantar em várias línguas: português, italiano, espanhol, francês e, especialmente uma canção em inglês com a bela autríaca e violonista clássica, Christa. Obrigada, linda! Seu carinho e sua música eu trago comigo! Quem sabe aprendo o alemão? Nos veremos na Áustria!
Bem... a aventura francesa continua. Chegou a hora do embarque. Essa semana visito a Argentina outra vez, depois de um bom tempo, com meu grande amigo Kiki Tróia. Ahi vamos, muchachos!
Muito obrigada a meus professores franceses maravilhosos, Cathy e Philippe. Não há palavras pra dizer o valor que vocês tem em minha alma! Muito obrigada!
Muito obrigada a toda comunidade Beatitudes!
Au revoir!
Allons au Brèsil!
Ziza Fernandes
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